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EN Há matérias do foro humano que nunca estarão fora de moda. A guerra é uma delas. O amor, felizmente, é outra. 'Amor de perdição', obra maior de Camilo Castelo Branco, para além do intrínseco valor literário, continua a ecoar na actualidade: um triângulo amoroso, um amor contrariado, homicídio, suicídio e os dramas pessoais expostos ao escrutínio da moral vigente. Estes ingredientes, que bastavam para notícia de abertura de um qualquer tablóide dos dias de hoje, são, afinal, um retrato ficcionado da sociedade portuguesa nos meados do século XIX e ajudaram a transformar 'Amor de perdição' num dos mais notáveis e bem sucedidos romances da literatura lusa.
É impossível destrinçar esta obra da vida pessoal de Camilo: homem de paixões arrebatadas, por vezes violento, envolveu-se romântica e fisicamente com Ana Plácido, mulher que aos 19 anos casara com um comerciante abastado do Porto. Acusados de adultério, ambos são presos e é na cadeia que Camilo escreve, em apenas 15 dias, 'Amor de perdição'. Publicada em 1862, o romance atinge imediato sucesso e acaba por reflectir a vida atribulada do autor. Na obra, Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, personagens principais, envolvem se numa relação proibida; Simão mata a tiro Baltasar Coutinho, primo e prometido de Teresa, pelo que é preso e condenado ao degredo. Pouparei os detalhes seguintes para que os descubra o leitor por mão própria.