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Uma Escola de Música pode ser muito mais do que apenas local de aprendizagem e aperfeiçoamento técnico. Pode, e deve ser, um fórum de construção comum, um espaço privilegiado para ouvir o outro, absorvendo-o no discurso próprio. É também um olhar avançado para o meio profissional que irá, a seu tempo, solicitar aos seus alunos rigor, humanidade e, sobretudo, capacidade de transcendência artística. Nada disto se ensina. Mas tudo isto se aprende.
É na interação com os pares ao longo do ano lectivo que os futuros músicos lidarão com as virtudes do espaço comum que a Escola permite enquanto ‘Ágora’, arena de debate e entrosamento entre todos. A Música é, por definição, a forma de arte na qual o acto solitário se converte em gregário, em colectivo, onde a interligação das partes, o todo, acrescenta mistério ao individual.
Por isso uma Escola de Música é, também, uma porta de entrada para o exercício da democracia: a atenção à voz mais ténue do fundo da sala, integrando-a no ‘tutti’ orquestral que é o ‘Grupo’, deve ser o propósito de qualquer espaço lectivo. Um escala musical não passa de um conjunto de notas sem, significado, como um alfabeto é um conjunto de símbolos que ordenamos para um discurso articulado composto por léxico e definido por semântica.
Sem a emoção que move o humano, uma escala nunca será nem melodia, nem poema, mas um sucedâneo de notas reproduzidas apenas pela técnica. A arte é mais do que isso. É a forma como transformamos o frio da formalidade em promessa de salvação e encantamento.
Entre muitas outras razões, esta é uma das que me fez associar à Academia de Guitarra do Porto. Quando terminei os meus estudos no Conservatório do Porto, comecei imediatamente a dar aulas, tendo ajudado a fundar Escolas de Música. Leccionei no Porto e em Lisboa e o meu principal objectivo sempre foi o de dar primazia à criação colectiva, ao ‘Grupo’ e ao ‘Combo’, dado que esse é, em ultima análise, o grande objectivo de qualquer Músico: participar numa Banda, subir a um palco, dar a conhecer ao mundo a sua visão. E essa visão constrói-se com a interioridade próprias à qual somamos a periferia do mundo que nos cerca.
Na Academia de Guitarra do Porto vamos poder experimentar percursos feitos de sons e de caminhos. Umas vezes esses caminhos serão estradas abertas, outras vezes apenas atalhos que vão dar a lugar nenhum. Em todo o caso, a experiência que ambos proporcionarão serão a mais eficaz das Escolas: na Música não há certezas nem verdades. Há dúvidas e mistério. Por isso, na composição, na execução em ‘Grupo’ out individual tudo nos será permitido porque os limites só existem para serem empurrados para fora de si.