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13 de outubro de 2023

Coliseu do Porto

Finalmente, ao fim de 82 anos sem qualquer intervenção estrutural de fundo, o Coliseu do Porto, pode ir obras! Edifício emblemático da arquitectura modernista portuguesa, sala de espectáculos ímpar emprenhada do carisma do Norte, local de peregrinação da cultura e rebeldia nacionais desde 1941, o Coliseu do Porto, apesar das dinâmicas criadas junto das populações, comunidades artísticas e promotores, nunca se viu cabal e definitivamente protegido de interesses múltiplos que, de formas mais ou menos transparentes,  tentaram fazer da sala privilégio só para alguns. Lembro-me, por exemplo, da tentativa de venda do imóvel a uma seita religiosa em 1995, ou da sempre dúbia bruma da concessão privada, agora finalmente desfeita. Em ambos os casos, ainda que distantes entre si,  largos sectores da população nortenha, e não só, poderiam vir a ser penalizados no usufruto que há mais de oitenta anos fazem livremente daquele local. Afinal esta sala foi testemunha da Oposição Democrática à ditadura do Estado Novo, viu cargas policiais à sua porta, foi escola de cidadania e de coragem mas também foi palco das primeiras celebrações e comícios livres no pós-25 de Abril. Ali se estrearam os maiores êxitos cinematográficos mundiais, ‘Ben-Hur’, ‘Música no Coração ou ‘Apocalipse Now’ e deu tecto ao som de Sviatoslav Richter, aos passos de Nureyev ou ao silêncio de Marcel Marceau. Os artistas nacionais, de Amália a Camané, de Beatriz Costa a Bispo, pisam, ou pisaram, aquele palco como extensão da sua própria casa. Uma sala assim não pode morrer na praia por falta de dinheiro para betão, caixilharias e ar condicionado.

Assim, recorrendo ao programa de Fundos Europeus, Norte 2030, a Area Metropolitana do Porto (AMP) deliberou, e muito bem, apresentar uma candidatura do Coliseu do Porto às verbas disponíveis para financiar a profunda, complexa e há muito desejada, intervenção. De facto, sob a presidência de Eduardo Vítor Rodrigues, deliberou a AMP, por unanimidade, enquanto associada da Associação Amigos do Coliseu, a comparticipação nas obras de reabilitação do Coliseu cujo orçamento de seis milhões de euros, em partes iguais, poderá ser repartido por três entidades: a própria AMP, a CMP, onde presidente, Rui Moreira, e Assembleia Municipal  parecem estar de acordo, e o Ministério da Cultura que não se pode alhear do bem-comum representado pelo peso que esta sala acrescenta à vida cultural dom país. Saliente-se ainda o notável trabalho desenvolvido pela actual direcção da Associação dos Amigos do Coliseu, à qual preside Miguel Guedes, que veio, de uma vez por todas, imprimir uma dinâmica às muitas valências do Coliseu, nomeadamente a criação de um Serviço Educativo que nunca existira até então, e a abertura e rentabilização dos muitos espaços que o edifico possui no seu âmago. Temos o melhor dos elencos, unido na defesa do bem-público e consciente do valor patrimonial e imaterial desta sala. Esta ‘peça’ pode, finalmente, subir à cena para ser vista por todos, sem exclusões. 
Cumpre-se a vontade dos eleitores quando os eleitos sabem estar à altura de quem os elegeu. Esta deliberação da AMP mostra ao país o quanto pode o poder político quando tem consciência que das suas obrigações depende a dignificação e defesa do espaço público. Em duas palavras, o bem-comum.

Pedro Abrunhosa

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