Viagens 1994

Todo o trabalho criativo é, na essência, solitário, porque a disciplina e o método assim o exigem. Contudo o resultado final, aquele que o público pode por fim apreciar, é fruto de uma interioridade conjunta que motiva, une e congrega o esforço, o trabalho, a intuição e o talento de múltiplas pessoas que connosco aceitam assumir tão grande desafio. Nenhum acto criativo é por isso fruto de um homem só.

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1. Não Posso Mais

01. NÃO POSSO MAIS

Tu és a fonte do meu desejo
minha heroína, meu ensejo
barco no Douro à deriva,
sem vento, sem guarida
nem ferros para lançar.
Eu sou o que mais tu podes querer
sou Apolo, sou Adónis
sultão entre os sultões
sem raínha nem mulher.
 
Há quanto tempo
isto está p'ra acontecer
mais dia, menos dia
vou ter que te dizer:
"Não posso +
viver assim,
olhar p'ra ti
sem te ter perto de mim.
Não posso mais
viver tentado,
pensar em ti
e querer-te ter sempre ao meu lado."
Tu és a minha louca fantasia
noites brancas de magia,
és prosa de um poeta, e na cauda de um cometa
tango dançado ao luar.
Eu sou, herói de banda desenhada,
Errol Flynn de capa'espada,
tiro tudo, não dou nada,
ninguém me vai agarrar.
Refrão
Tu és o meu sonho mais atrevido,
olho e tiro-te o vestido
dizes: "És doido varrido
faz de mim a tua puta"
"Como é vamos p'ra casa experimentar o Kama
Sutra?"
Eu sou a sombra do teu destino
sou beijo louco e repentino.
E dou-te aquilo que eu
há muito te quero dar.
Refrão (3X)

2. Não Tenho Mão Em Mim

02. NÃO TENHO MÃO EM MIM

Não sei porque é que raio começas-te a magicar
que eu era por ti que eu me iria apaixonar.
Nem sei porque é que dizes que és capaz de
enlouquecer
se um dia já não te quiser.

É que isto é mesmo assim,
sou só uma ilusão,
não tenho mão em mim,
é uma maldição!

Não sei porque é que teimas em continuar a supor
que se eu partir ficas na pior.
Pára de insistir e não me peças p'ra fingir,
qualquer dia esfumo-me em vapor.

Refrão

Não sei se é por acaso ou uma condenação,
mas algo em mim nunca vai mudar.
Com ou sem razão não te quero magoar
porque um dia vou Ter que te deixar.

Refrão

Não sei como é que vai ser quando um dia eu um sentir
sepultado no sossego de um jardim.
Sei que só sei viver destinado a fugir
até que um dia tudo chegue ao fim.

Refrão

Não sei porque é que raio começas-te a magicar
que eu era por ti que eu me iria apaixonar.
Nem sei porque é que dizes que és capaz de
enlouquecer
se um dia já não te quiser.
Não sei porque é que teimas em continuar a supor
que se eu partir ficas na pior.
Pára de insistir e não me peças p'ra fingir,
e qualquer dia esfumo-me em vapor.

Refrão

3. Lua

03. LUA

Mais um dia que acaba
e a cidade parece dormir,
da janela vejo a luz que bate no chão
e penso em te possuir.
Noite após noite, há já muito tempo,
saio sem saber para onde vou,
chamo por ti, na sombra das ruas,
mas só a lua sabe quem eu sou.
Lua, lua,
eu quero ver o teu brilhar,
lua, lua, lua,
Eu quero ver o teu sorrir.

Leva-me contigo,
mostra-me onde estás,
é que o pior castigo
é viver assim, sem luz nem paz,
sozinho com o peso do caminho
que se fez para trás...
Lua, eu quero ver o teu brilhar,
no luar, no luar.

Homens de chapéu e cigarros compridos
vagueiam pelas ruas com olhares cheios de nada,
mulheres meio despidas encostadas à parede
fazem-me sinais que finjo não entender.
Loucas são as noites, que passo sem dormir,
loucas são as noites.
Os bares estão fechados já não há onde beber,
este silêncio escuro não me deixa adormecer.
Loucas são as noites.

Refrão

Não há saudade sem regresso, não há noites sem
madrugada,
Ouço ao longe as guitarras, nas quais vou partir,
na névoa construo a minha estrada.

Loucas são as noites, que passo sem dormir,
loucas são as noites.
Loucas são as noites, que passo sem dormir,
loucas são as noites...

4. É Preciso Ter Calma

04. É PRECISO TER CALMA

Amor, essa palavra que me mata
me corta (como uma faca)
me deixa no chão, como um cão
nu sem sossego, como o prazer que te nego.
Dor, cativa, privada,
bruma que te cobre o corpo de fada,
sonho, distante na mente
e de repente, saber que se está só.
É duro, é puro, o futuro,
sempre presente como o céu na tua frente
pintado, queimado, vazio assumido
um corpo triste despido
e uma mão que se estende,
depende de quem vier
e é mesmo assim que se quer.
Longe ou perto,
tudo é deserto
Tudo é montanha que te arranha a alma
com fúria, com calma

É preciso ter calma
Não dar o corpo pela alma

Vês o passado dorido, ferido,
agora tudo te é querido.
Memória, vitória, não é esta a tua história.
Voou a tua vida, perdida,
por entre os braços da SIDA.
Mentira, roubada, pesada,
uma seringa trocada, um prazer, que agora é nada.
Perdoa se não sei que fazer,
Mas sei que deve doer,
dá-me o teu olhar e eu dou-te o meu amor,
e o beijo urgente, premente,
esperança que não dorme, conforme,
e dita o eu estar aqui.
Amanhã, sei lá, para já o som da guitarra
que me agarra, me prende, me solta,
e a ti dá-te a volta, ao sorriso,
tem calma...

Refrão

juízo, não tenho medo, não temo
só tremo de pensar...
mas não penso, e tenso te faço viajar
com a voz.
Lembro Novembro passado
quando os dias eram curtos
e as noites de fado,
rasgado, cantado, sentido.
No Deus que criámos
aprendemos a viver, de cor,
meu amor,
e agora, é hora,
tudo fica por fazer,
quero-te dizer mais uma vez
que te amo, talvez, te quero,
te espero e desespero por ti,
e que isso só por si
me chega p'ra viver,
mesmo quando só houver...
silêncio...
imenso,
e dor, e pior meu amor,
a lembrança que descansa
os olhos teus nos meus...
Adeus.

Refrão (2X)

É preciso ter calma.

5. Socorro

05. SOCORRO

Já não como há cinco dias
não durmo há mais de um mês,
desde que te conheci
a minha vida é como vês.
Passo os dias a pensar
não sei o que fazer,
eu nem quero acreditar
no que me foi acontecer.
Só queria estar sozinho
e não pensar mais em amor,
sempre que conheço alguém
fico de mal a pior.
Li no "Metro" o teu anúncio,
de carácter pessoal
limitavas-te a dizer...

Curioso como sou
apressei-me a responder,
só para te perguntar
o que é que isso quer dizer.
Guardei o jornal no bolso
para te falar depois,
mas decorei o teu número
937812.
Liguei-te às seis da tarde,
devias estar a acordar,
essa voz rouca e quente
num suave murmurar.
Fiquei quase sem fala,
estive mesmo a desligar
do outro lado dizias...

Socorro!! Estou a apaixonar-me
É impossível resistir a tanto charme.

Foste-me buscar de carro
levaste-me à beira-mar,
nas tuas mãos a 4L
mais parece um Jaguar!
Sentados na esplanada
a tomar um cimbalino,
foi então que percebi
essa coisa do destino.
Nesse dia aconteceu
nunca mais vou esquecer
- o mar, o sol, o céu, a praia -
todo um mundo de prazer,
acendes um cigarro
afagas-me o cabelo,
disseste então assim...

Não percebo o que é que queres,
nem o que estás a dizer,
só sei que tu consegues
mostrar o que é ser mulher,
quando nós nos separamos
não nos vimos por um mês,
trinta dias a pensar
em te ter mais uma vez.
Depois vi-te na Indústria
a dançar ao som do Prince
senti-me devorado
pelo teu olhar de lince.
Com ar discreto e decidido
chegaste-te ao pé de mim,
sussurraste-me ao ouvido...

Refrão

Encontrei-te então na baixa
(sem nada que o justifique)
ali ficámos toda a tarde
nos sofás do Magestic,
Falaste-me do mundo
d'outras terras e lugares,
mostraste-me perfumes
de oceanos e mares.
Ali sentado viajei,
ali p'ra sempre quis ficar,

contigo perto dos olhos
os lábios quase a beijar.
Falaste da cidade,
casas, ruas e pessoas
e disseste sem vaidade...

Tenho ouvido muita coisa
mas nunca tão bela assim,
seduzir e encantar,
são coisas novas p'ra mim.
O que eu gosto mais contigo
(se queres saber o que eu acho)
é que consigo ser homem,
sem dar uma de macho.
Já não como há cinco dias,
não durmo há mais de um mês,
desde que te conheci
a minha vida é como vês.
Passo os dias a pensar
já não sei o que fazer
eu nem quero acreditar
no que me foi acontecer.

Refrão (2X)

6. Estrada

06. ESTRADA

Estrada fora estrada dentro, de Bayonne a Milão,
coração ao relento, mundos e fundos na mão.
Corpo negro macadame, de Milão a Budapeste,
voar, "chercher la femme", norte, sul, oeste, leste.
Polaroid, pôr do sol, vénus na concha da Shell,
Sexo, sonho e rock'n'roll, noite branca no motel.

Anjo perdido na bruma, leva-me ao sétimo céu,
abre o teu manto de espuma, deixa cair o teu véu,
deixa cair o teu véu, deixa cair o teu véu,
deixa cair o teu véu...

Chuva, bréu e gasolina, bar aberto, companhia,
cheiro a erva na latrina, chá, café e fantasia.
Ultrapasso um camião, passo fronteira e portagem.
O écran do alcatrão devorou a tua imagem.
Estou tão longe, estou tão perto, sei que nunca
hei-de chegar
onde vou não sei ao certo, já não posso mais parar.

Refrão

Contigo leio o futuro nas gotas do pára brisas,
coração inseguro, mãos vazias, indecisas.
Néon pálido, luar, Via Láctea, solidão,
tenho ganas de beijar o espelho da escuridão.
A grande roda da sorte é uma curva sem fim,
do outro lado da morte há uma estrada só p'ra mim.

Refrão (2x)

7. Fantasia

07. FANTASIA

Tudo se passa em segredo
numa praia à beira mar,
sempre em noites de céu negro,
sem estrelas nem luar.
O cenário é um velho hotel,
sem janelas para a rua,
sinto-me à flor da pele,
numa guerra sem quartel,
quando te pões toda nua.

Ah! Se chego ao pé de ti,
deixo logo de pensar.
Ando em louco frenesim,
só te quero devorar...
Ah! Se chego ao pé de ti.

Do sofá à alcatifa,
o teu corpo vai e vem.
Fazes-me sentir califa
no nirvana de um harém.
Enrolada nos lençóis
endoideces de prazer,
arrancas-te os caracóis,
dizes: "Já não posso mais",
e não paras de gemer.

Refrão

Com um gesto sedutor
mergulhas vezes sem fim,
gritas de desejo e dor,
nada pode ser melhor,
queres ficar sempre assim.
Pões-me a cabeça a ferver,
mais em brasa que um tição,
chegas-me a fazer perder,
(isto assim não pode ser)
toda a réstia de razão.

Refrão

8. Viagens

08. VIAGENS

Já vai alta a noite, vejo o negro do céu,
deitado na areia, o teu corpo e o meu.
Viajo com as mãos por entre as montanhas e os rios,
e sinto no meus lábios os teus doces e frios.

E voas sobre o mar, com as asas que eu te dou,
e dizes-me a cantar: "É assim que eu sou",
olhar para ti e ver o que eu vejo,
olhar-te nos olhos com olhares de desejo,
olhar para ti e ver o que eu vejo,
olhar-te nos olhos com olhares de desejo,
eu não tenho nada mais p'ra te dar,
esta vida são dois dias,
e um é para acordar,
das histórias de encantar,
das histórias de encantar.
Viagens que se perdem no tempo,
viagens sem princípio nem fim,
beijos entregues ao vento,
e amor em mares de cetim.
Gestos que riscam o ar,
e olhares que trazem solidão,
pedras e praias e o céu a bailar,
e os corpos que fogem do chão.

Refrão

9. Mais Perto do Céu

09. MAIS PERTO DO CÉU

Enquanto eu te escrevo,
Saravejo morre lenta
uma morte amordaçada
no silêncio dos tiros
e na paz da granada.
A noite acoita o metralhar
será homem ou fera
este triste uivar?
Posso ver as avenidas,
coloridas, presentes,
hoje sombras despidas
do passado distante.
A vez do vizinho
que hoje foi a enterrar,
sozinho, claro, que morrer é ficar.
Os amantes ali estão
abraçados no asfalto
onde as balas lá do alto
os apanharam à traição,
no coração, que é o sítio ideal
para quem mata a paixão,
que amar é fatal.

+ perto do céu
anjo d'alma azul
+ perto do céu
+ longe que o sul.

Calor, já não há,
só se for o da mortalha
que é o lençol que me agasalha
e a cama onde me deito
e me enrolo sobre o peito,
recordando o céu azul,
e quer a norte quer a sul
a liberdade de fugir.
Ficar a resistir,
morrer, nem pensar,
que a coragem de aqui estar,
como ontem em Guernica,
é a vontade de quem fica.
Vazia a dispensa
é pior a indiferença.
Auschwitz ou Buchenwald
que afinal foram debalde,
porque as câmaras de gás
não ficaram para trás
estão aqui à minha frente.
Eu só quero estar presente
de novo em Nurembrega,
porque um povo não se verga.

Refrão

Por isso aqui estou
com arma sem munição,
carne para canhão
para contar toda a verdade...
... e liberdade.
E no futuro, nem sequer se vão lembrar
que tudo dói, mesmo Tolstoi
lido à luz da curta vela.
Saravejo donzela
tantas vezes violada,
sempre só, abandonada.
Tudo o que tenho
é o empenho de quem sonha.
O silêncio é vergonha,
arma mortal, punhal
que mata e maltrata
escondido, sem ruído,
tantas vezes repetido,
e penetra no meu corpo,
que deixa morto
pelas costas...
sem resposta.
Agora é de vez.
Faz frio no inferno deste Inverno.
Cada bomba é uma sombra de indiferença.

Crença que tem que mudar.
Há que gritar e mostrar
ao mundo os mortos
que o mundo ignora
e demora a perceber.
Uso a caneta
que é a minha baioneta,
país eterno
que deixo no caderno
tenho medo que me esqueças
e me peças para calar a voz,
mas não o faças,
porque ontem foram ao outros
e hoje nós.

Refrão (2X)

10. Tudo O Que Eu Te Dou

10. TUDO O QUE EU TE DOU

Eu não sei
que + posso ser,
um dia rei,
outro dia sem comer.
Por vezes forte,
coragem de leão,
às vezes fraco,
assim é o coração.

Eu não sei,
que + te posso dar,
um dia jóias,
noutro dia o luar.
Gritos de dor,
gritos de prazer,
que um homem também chora
quando assim tem de ser.

Foram tantas as noites,
sem dormir.
Tantos quartos de hotel,
amar e partir.
Promessas perdidas
escritas no ar,
e logo ali eu sei...

Tudo o que eu te dou,
tu me dás a mim.
Tudo o que eu sonhei,
tu serás assim.
Tudo o que eu te dou,
tu me dás a mim,
tudo o que eu te dou.

Sentado na poltrona
beijas-me a pele morena
fazes aqueles truques
que aprendeste no cinema.
+, peço-te eu,
já me sinto a viajar.
Pára, recomeça,
faz-me acreditar.

Não, dizes tu
E o teu olhar mentiu.
Enrolados pelo chão
no abraço que se viu.
É madrugada
ou é alucinação,
estrelas de mil cores
extasy ou paixão.
Hmm, esse odor
traz tanta saudade.
Mata-me de amor
ou dá-me liberdade.
Deixa-me voar,
cantar, adormecer.

Refrão

Contactos

Agenciamento

Sons Em Trânsito +351 234 425 610 info@sonsemtransito.com https://www.sonsemtransito.com

Estúdio

Boom Studios +351 225 106 712 info@boomstudios.pt http://www.boomstudios.pt/

Editora

Universal Music Portugal +351 217 710 410 info@umusic.com http://www.universalmusic.pt/