08. SENHOR DO ADEUS

(Pedro Abrunhosa/Pedro Abrunhosa)
 
Sei que há um lado da estrada
Onde o sol entra devagarinho,
E há uma tarde que tarda,
Talvez pedras no fim do caminho.
Adeus,
Adeus,
Chegam Anjos,
Rasgar as ruas do céu.

Sou como o chão d' Avenida,
Sou aquele que já não tem sombra,
Tanta gente veloz de partida,
Da verdade não há quem se esconda.
Adeus,
Adeus,
Chegam Anjos
Rasgar as ruas do céu.

Vem ver-me esta noite
Se a solidão deixar,
Aponta-me os faróis,
Depois vem devagar,
Acena-me um Adeus,
Um lençol de jasmim,
Um Abraço intocado,
Sê louco a meu lado,
Olha p'ra dentro de mim.

Sou estátua de pele e de sonhos,
O Príncipe Feliz do Saldanha,
Escondo andorinhas no peito,
O coração é de quem o apanha.
Adeus,
Adeus,
Chegam Anjos
Rasgar as ruas do céu.

Agora na praça deserta
Ficou a metade do beijo,
Encontra-me quem não procura,
Quem sente o vento que sobe do Tejo.
Adeus,
Adeus,
Chegam Anjos
Rasgar as ruas do céu.

Vem ver-me esta noite  
Se a solidão deixar,
Aponta-me os faróis,
Depois vem devagar,
Acena-me um Adeus,
Um lençol de jasmim,
Um Abraço intocado,
Sê louco a meu lado,
Olha p'ra dentro de mim.   
Olha p'ra dentro de mim.
Olha p'ra dentro de mim.