11. ENQUANTO HÁ ESTRADA

Há luzes que se acendem,
Camiões por todo o lugar,
Cheiro a terra e a gasolina,
Vozes em fuga dum bar.
Aqui me fico
E aqui me estendo,
Pesa-me a estrada e a sombra do carro,
Um nocturno que só eu entendo,
Nunca está só quem tem um cigarro.
 
E de manhã
Talvez tudo tenha ido,
Perder o medo
No rosto do inimigo,
Rir do escuro
E rir do esconderijo,
Quem sabe?
 
Vou sempre
De frente,
Não há saída
Se houver paragem.
Sou um
Mas sou muita gente,
Enquanto há estrada
Há que seguir viagem.
 
Há um vento frio que levanta,
Faróis que fogem da tempestade,
Há quem traga o pó na garganta
E quem esconda o pó da cidade.
Aqui me deito
E aqui me espero,
Pesa-me o asfalto e o horizonte,
Só há uma forma de viver inteiro,
Ser como o vento que desenha o monte.
 
E de manhã
Talvez tudo tenha ido,
Ganhar coragem
Enquanto se abraça o perigo,
Rir do silêncio
E dos passos do ruído,
Quem sabe?
 
 
Vou sempre
De frente,
Não há saída
Se houver paragem.
Sou um
Mas sou muita gente,
Enquanto há estrada
Há que seguir viagem.