10. EU SOU O PODER

Um homem diz pr’a outro homem
Que aquilo que tem já sabe a pouco,
E a gravata aperta a garganta
E um olhar de louco.
E há outro que vem com uma bengala
E entra na sala,
Bate no chão,
E sai-lhe da mão
Um ódio rouco.
 
O Diabo pergunta:
“O que queres tu comer?”
E ele responde:
“Quero Poder e tudo que houver para além de ti,
E são muitos que querem, que sabem,
Quem eu sou aqui.”
E com isto desapareceu
No fumo.
 
Não tenho tempo a perder,
 
Eu sou o Poder,
Eu sou o Poder,
Eu sou o Poder,
Eu sou o Poder.
 
Um homem diz pr’a outro homem:
“Eu vou ser original!”
E tudo o que escreve
Como o que diz vem no jornal.
“Esta cidade enquanto se esconde,
Enquanto não morde, enquanto que dorme
É um leão sem cabeça,
É um sítio banal!”
 
O Diabo volta a perguntar:
“Que queres tu mais,
Que posso dar pr’a te saciar”
“Talvez o deserto,
Talvez o universo,
E se eu fosse perverso
Talvez o medo que há no ar”.
 
Não tenho tempo a perder,
 
 
Eu sou o Poder,
Eu sou o Poder,
Eu sou o Poder,
Eu sou o Poder.