09. JÁ NÃO HÁ POR ONDE FUGIR

A noite ganhou-te,
Trocou-te nos dados,
Nos néons, nos fados,
Num whisky vulgar,
Secou-te a garganta,
Levou-te a mulher,
Tudo tão devagar,
Como num jogo de póker.
E não há p’ra onde fugir.
 
Viajante no tempo,
Andarilho cowboy,
Vagabundo de corpos,
Sentes a dor que não dói.
Será que me vendes a alma?
Me alugas a cama?
Te afogas na calma
De quem se deita na lama?
E não tens p’ra onde fugir.
 
E no fim da estrada
Deixa-te cair,
Só nesta jogada
Já não há p’ra onde fugir.
 
Já não há p’ra onde fugir,
Já não há p’ra onde fugir.
 
Andas em contra-mão
No ruído da esquina,
Nos sinais que se fecham,
Na luz da vitrina.
E dançaste sozinho
Entre os traços da rua,
Rodopias feliz
Esta praça é só tua.
Já não há p’ra onde fugir.
 
E agora um abraço
Em que o vento te agarra,
Sabes,
Tantas vozes que ouves
E nenhuma te ampara.
Será que me sentes por perto?
Sou um frio deserto
Podes ter como certo
Serei teu dono no fim!
Já não tens por onde fugir.
 
E no fim da estrada
Deixa-te cair,
Só nesta jogada
Já não há p’ra onde fugir.
 
Já não há p’ra onde fugir,
Já não há p’ra onde fugir.